
2) Aliás, na era da disseminação do MP3 e dos muitos aparelhinhos digitais, você acredita que ficou mais fácil (pela facilidade de divulgação) ou mais dificil (pelo desapego dos fãs dos CDs físicos) para uma banda que começa de maneira totalmente independente?
Dani: Eu sinceramente acredito que continua tão difícil quanto sempre foi. Não está mais fácil, nem mais complicado. O grande problema continua sendo se fazer ouvir... hoje podemos ter os meios de expor o material mais facilmente, supostamente para todo o mundo, mas existem tantas bandas que encontrar algo de qualidade de uma banda nova é como procurar uma agulha em um palheiro. Não que existam poucas bandas boas, ao contrário, existe muita coisa excelente que infelizmente acaba sufocada no meio de tantas outras que não valem a pena. Veja o MySpace ou o Facebook... existem incontáveis páginas de bandas e ninguém vai visitar uma por uma. Os músicos continuam precisando trabalhar e muito para provar que merecem uma chance, além de serem obrigados a serem mais criativos que os outros, não apenas na música, mas também na forma de chamar a atenção. Você tem que conseguir a atenção do seu futuro fã em potencial, mas sem encher o saco dele, sem spam. Começar nunca será fácil, mas vale a pena.
3) Vocês fizeram uma turnê com o W.A.S.P., abriram para o Iron Maiden, gravaram o novo CD com participações de músicos do Dream Evil, Soilwork, Dark Tranquility... Estar ao lado destes medalhões faz aflorar o seu lado fã ou você consegue se controlar? =)
Dani: Eu nunca tive esse lado "fã", acho que pedi apenas 2 ou 3 autógrafos em toda a minha vida, depois deixei de pedir porque achava que aquele "rabisco" tinha estragado meu encarte (risos). Também sempre vi músicos de forma muito natural, como simples pessoas que por acaso vivem da arte. Hoje todos eles são apenas colegas de trabalho, exceto o Iron Maiden, para eles apenas rockstars são colegas de trabalho, na minha opinião (risos). Nós estamos apenas engatinhando, perto deles. Mas por tudo isso, não sinto a necessidade de ter auto-controle... o máximo que acontece é sentir que aquilo tudo não parece real, afinal uma banda como o W.A.S.P. tem mais tempo de estrada que eu de idade, dá um certo frio na barriga imaginar que depois de tanto esforço, você está recebendo a oportunidade de tocar ao lado de alguém que você admira e tem uma carreira sólida e bem-sucedida. Leva um tempo para você se permitir acreditar que tudo está mesmo acontecendo.
4) Muito tem se falado nos últimos meses sobre a necessidade (ou não) de uma maior união das bandas brasileiras de metal e do apoio dos fãs brasileiros aos grupos de nosso país. O que você acha do assunto? Apoiamos o metal nacional só por ser nacional ou ainda falta um salto de profissionalismo para quem quer sair do underground?

5) O fato de ser uma mulher à frente de uma banda de metal te traz algum tipo de dificuldade adicional? Afinal, durante muitos anos, o gênero sempre foi associado a algo como "música de macho". E falando nisso: ser tratada como musa por parte de seus fãs te incomoda de alguma maneira?
Dani: Não me incomoda nem um pouco, mas também não é algo que eu busco... eu vejo isso como um elogio, sem basear minha carreira nisso, afinal eu não quero me aposentar cedo e o tempo passa para todos (risos). O fato de ser mulher não tem realmente complicado minha vida (risos). Eu apenas vejo algumas situações engraçadas, de pessoas falando que não gostam de Shadowside porque não gostam de "gothic metal". Então quando perguntados se já escutaram Shadowside, eles admitem que não, mas assumiram que somos uma banda "gótica" por sermos uma banda com uma mulher nos vocais. Apesar de odiarmos isso, somos sempre obrigados a deixar nossos perfis na internet com aquele irritante "auto-play", para que entendam nosso som antes de nos julgarem para o bem ou para o mal por eu ser mulher (risos). Não, isso é brincadeira... eu realmente acredito que a grande maioria já sabe que "vocal feminino" não significa mais um tipo de som específico. O Inner Monster Out é um trabalho pesado, com um toque de moderno, porém bem musical, com melodias grudentas sem deixar de lado nossas raízes tradicionais e está bem diferente do padrão atual, seja para bandas com homens ou mulheres nos vocais. Não acredito que ser mulher vai trazer qualquer vantagem ou desvantagem, mas esse disco vai ser mais uma coisa nova, que uma mulher ainda não havia feito.
Matéria Original: Observatório Nerd
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