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sábado, 31 de março de 2012

PONTO NULO NO CÉU - Brilho Cego

Ponto Nulo No Céu é uma banda Catarinense fundada em 2007, formada atualmente por Dijjy, Vinícius, Júlio, André e Henrique. Um fato peculiar na banda é o de não possuírem empresário ou assessoria e fazerem tudo na raça, por conta própria, sendo totalmente independente.

Cercado de letras profundas que expressam sentimentos de desgosto em relação ao mundo em que vivemos, este trabalho não entrega ao ouvinte apenas os problemas de um planeta em decadência, mas busca fazer com que as pessoas arranquem as forças necessárias de si próprias para lutarem, enfrentarem os obstáculos da vida e se tornarem vencedoras de seus próprios desafios. A Ponto Nulo no Céu não se resume em ser uma banda, em um som, e sim uma família unida por um mesmo objetivo, a mudança, pela qual não esperamos sentados.

Capa do álbum
Faixas:
1. Brilho
2. Existência Seca
3. Nítido
4. Clarão
5. Ponto Nulo no Céu
6. Penumbra
7. Subsolo
8. Sem dor, sem vida
9. 5:45
10. Peito Aberto
11. Sopro
12. Na sombra do Ego
13. (R)Evolução Mental
Lançamento: 2011
Gravadora: Independente

A banda apresenta um Metalcore/Nu Metal , que confesso, dentre os subgêneros do heavy metal não é dos meus favoritos, mas quando uma banda apresenta uma qualidade tão elevada, fica impossível não apreciar. Certamente é uma das, se não a mais promissora banda nacional no estilo e apesar de terem lançado apenas o seu primeiro full-lenght em 2011, é perceptível o alto nível de profissionalismo. A produção do álbum a cargo de Adair Daufembach é de muita qualidade, com todos os instrumentos perfeitamente audíveis.

Outro ponto de destaque são as letras da banda cantadas em português, letras bem pensadas e estruturadas, como pouco se vê por aí. Vale ressaltar as performances e versatiliadde do vocal da banda Dijjy que a frente do instrumental pesado, alterna vocais limpos, rasgados e gritados sem comprometer em nada, ouça a faixa Nítido e Subsolo e comprove. Ainda destaco as faixas Brilho que apresenta uma agradável melodia no violão enquanto se ouve vozes em vários idiomas diferentes dizendo, “O mesmo brilho que revela também pode cegar. Você só enxerga o que quer. Só enxerga se quiser.”e Clarão com um ótimo trabalho na bateria. As guitarras são os destaques de (R)Evolução Mental e Penumbra.

Certamente um álbum que agradará aos fãs do Metalcore e da música de qualidade. Uma banda que merece atenção, pois tem potencial para ir longe no cenário nacional.





Site oficial: http://www.pontonulonoceu.com.br/
Twitter: https://twitter.com/#!/pontonulonoceu
Facebook: http://www.facebook.com/PontonulonoceuPNNC

Download do álbum: http://bit.ly/xQ4TJh
Download do ep "Ciclo Interminável" lançado em 2008: http://bit.ly/x4NUiT

Formação:
Dijjy - Vocal
André - Guitarra
Vinícius - Guitarra
Henrique - Baixo
Júlio - Bateria

sábado, 25 de fevereiro de 2012

DROWNED - Belligerent Part Two: Death and Greed are United

A banda Drowned foi formada no ano de 1994 em Belo Horizonte, porém o death metal da banda só teve seu primeiro registro em 1998 na demo “Where Dark and Light Divide”. O primeiro álbum veio em 2001 sob o nome “Bonegrinder” e desde então a Drowned lançou mais 5 álbuns de estúdio. Esta resenha é para o álbum “Belligerent - Part Two: Death and Greed are United” lançado em 2011 e sucedido por “Belligerent - Part One: The Killing State of the Art” lançado no começo de 2012.

Capa do álbum
Capa do album
Faixas:
1 – The War Remains The Same
2 – Belligerent
3 – World’s Full Cartridge
4 – Before You Try To Kill Me
5 – Human Rights For The Rats
6 – We Have Pleasure To Watch You Die
7 – Corrupted Side By Side
8 – Blood Trail
9 – Universal Killing Portion
10 – Terror’s Costumers
11 – A Death Is Worth A Thousand Words
12 – The King Can Do No Wrong
Lançamento: 2011

Quem acompanha a carreira da Drowned irá notar a grande evolução dos caras em relação ao álbum anterior, o death metal com influências do thrash praticado pela banda é um prato cheio aos amantes do gênero.  É difícil escolher destaques no álbum, pois ele é bastante homogêneo e segue numa regularidade do inicio ao fim sem deixar a peteca cair em nenhum momento.

Um dos destaques é The War Remains The Same que começa o álbum de forma acústica no violão criando uma bela melodia antes de a porrada começar a comer solta. A faixa segue numa levada bem thrash por parte das guitarras e com muitas quebradas na bateria, além do baixo pulsando a todo o momento, ótima escolha para abrir o álbum. World’s Full Cartridge começa com o já clichê som de uma metralhadora, mas a faixa conta com boas linhas vocais que dão ainda mais destaque ao ótimo desempenho do vocalista. Before You Try To Kill Me é mais uma com grande desempenho do vocalista Fernando alternando vocais rasgados e guturais, além dos ótimos solos das guitarras. We Have Pleasure To Watch You Die apresenta riffs destruidores e uma bela quebradeira do baterista em uma das faixas mais empolgantes.

Blood Trail é levada no violão com uma bonita melodia que ao contar com as “explosões” da bateria ao fundo lhe ambienta num ambiente de guerra.  The King Can Do No Wrong encerra o álbum em uma faixa bastante técnica e com várias variações no seu andamento. O álbum acaba pecando um pouco por ser tão homogêneo, o que acaba cansando um pouco durante a audição já que o trabalho conta com 12 faixas, um número bem elevado. Em suma, um bom álbum que facilmente pode agradar aos fãs do Thrash Metal.



Site: http://www.drowned.com.br/
Myspace:https://www.myspace.com/drownedmetal
Facebook:https://www.facebook.com/pages/Drowned/170658026309063
Canal no Youtube:https://www.youtube.com/drownedmetal

Formação:
Fernando Lima - Voz
Kerley Ribeiro - Guitarra
Marcos Amorim - Guitarra
Rafael Porto - Baixo
Beto Loureiro - Bateria

sábado, 18 de fevereiro de 2012

BYWAR - Abduction

A banda paulista Bywar foi formada em 1996 na cidade de São Caetano do Sul, lançando sua primeira demo “The Evil’s Attack” em 1998. Desde então a Bywar lançou três álbuns “Invincible War”, “Heretic Signs” e “Twelve Devil’s Graveyard”, além de vários splits. Em 2011, após quatro anos do lançamento do álbum anterior os paulistas finalmente lançaram o seu quarto full-lenght “Abduction”.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Intro
2 – Poltergeist Time
3 – Abduction
4 – Toward the Unreal
5 – Another Crusade
6 – Handful of Evil
7 – Ragnarok (The Final War)
8 – Starchildren
9 – Behind the Pain
10 – Black Spirals of Death
11 – Consciously Dead
Lançamento: 2011
Gravadora: Mutilation Records

O som da Bywar é o típico Thrash Metal com influência da cena thrash alemã. Os caras não buscam inovar e se mantém atados as raízes do estilo, claro, sem soar como cópia das bandas germânicas.

O álbum tem uma breve intro que não acrescenta em quase nada para o trabalho e logo em seguida temos a rápida e direta Poltergeist Time com destaque aos riffs. A faixa título é a mais longa e apresenta um grande trabalho da cozinha da banda, além de ótimos solos das guitarras. Toward the Unreal é umas das melhores do álbum e a mais empolgante com riffs destruidores, solos certeiros e grande interpretação do vocalista, além do refrão pegajoso. Another Crusade começa suave no dedilhado com cara de balada, mas não demora a ficar pesadona em mais um grande trabalho dos guitarristas.

Handful of Evil é uma das mais pesadas e outra das melhores do trabalho com a bateria quebrando tudo e riffs matadores. Ragnarok conta com um bom refrão e ótimos solos de guitarra, além de um ótimo andamento bem variado. Black Spirals of Death confirma que os grandes destaques do álbum são os guitarristas da banda em mais um ótimo desempenho. Conciously Dead fecha, outra das mais empolgantes do trabalho com a banda toda se destacando.




A produção do álbum é de ótima qualidade e exalta o atual estado banda que apresentou o seu álbum mais maduro. Se você é um amante do Thrash Metal, não vai se arrepender de dar um tempo para ouvir Abduction.


Formação:
Adriano Perfetto - Voz e Guitarra
Renan Roveran - Guitarra
Helio Patrizzi - Baixo
Enrico Ozio - Bateria

domingo, 12 de fevereiro de 2012

DYNAHEAD - Youniverse

A Dynahead é uma banda brasiliense formada no ano de 2004 com foco total na criatividade quebrando quaisquer barreiras que o heavy metal possa ter. Em 2008 a Dynahead lançou o seu debut intitulado “Antigen” e em 2011 finalmente os brasilienses lançaram o seu segundo álbum de estúdio sob o nome “Youniverse”.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Ylem
2 – Eventide
3 – Inception
4 – Unripe One
5 – Confinement In Black
6 – Circles
7 – My Replicator
8 – Repentance Hour
9 – Way Down Memory Lane
10 – Redemption
11 – Onset
Lançamento: 2011

Youniverse é album conceitual que metaforicamente une a condição humana com a evolução do universo em seus nascimentos, desenvolvimento e morte. A Dynahead possui um estilo muito próprio que mescla thrash, prog, heavy, new metal e até elementos de fora do metal como bossa nova e jazz. Apresentando um som intrincado cheio de mudanças de andamento em um álbum bastante heterogêneo que torna impossível saber o que vai ouvir na faixa seguinte, é o típico álbum que os mais tradicionais consideram “esquisitão”. Portanto, para ouvir este trabalho se desvincule de qualquer rótulo existente no metal e dos pré-conceitos estabelecidos.

O álbum começa com Ylem (uma substância hipotética entendida atualmente como  “plasma primordial” que sofreu nucleossíntese do Big Bang) logo de cara trazendo peso e riffs nervosos evidenciando o lado thrash da banda, mas sempre com espaços para o progressivo aflorar em arranjos mais melódicos e complexos. O vocal também muda bastante, em alguns momentos bastante agressivos e em outros vocais mais limpos que lembram o metalcore. Eventide dá espaço total para os vocais limpos em uma música mais cadenciada e com ótimos arranjos dos guitarristas que não diminuem o peso apesar do vocal limpo. Seguindo temos a complexa Inception com uma veia extremamente progressiva que em alguns momentos apresenta arranjos jazzísticos e até mesmo brechas para flertar com o death metal e corais e back vocals mais típicos do power metal. É uma verdadeira salada em que nada soa forçado e tudo flui perfeitamente em uma grandiosa e intrincada música. Unripe One é a mais heavy tradicional em flerte com o thrash e que em certas partes (as mais calmas) se tornam progressivas e lembram o Dream Theater. Confinement In Black é outro destaque do álbum com riffs destruidores, ótimas linhas vocais tanto limpas como as mais rasgadas, além de um pegajoso e atmosférico refrão.

Circles é a “baladinha” do álbum em formato semi acústico com arranjos de violão e riffs de guitarra que lembram os de hard rock. Depois da calmaria da faixa anterior, My Replicator trará uma sonoridade mais extrema, porém sem muitos atrativos se comparada as outras faixas. Repentance Hour tem como destaque o ótimo trabalho dos guitarristas com ótimos riffs e também o baterista apresenta um grande desempenho. Way Down Lane é agressiva com destaque para a interpretação do versátil vocalista da banda. Aproximando se do final a faixa entra em uma passagem bossa nova dando um alto contraste com a faixa que era até então uma das mais pesadas do álbum. Redemption assim como Circles é umas das faixas suaves do álbum com foco nos vocais limpos. Apesar de o vocalista ser muito versátil, quando usa de vocais mais agressivos o desempenho é melhor aos vocais limpos, e Onset ficara encarregada de terminar o álbum.





A produção do álbum a cargo do próprio vocalista da banda é de extrema qualidade, assim como a capa desse trabalho por Gustavo Sazes. De inicio algumas músicas podem te soar estranhas e aliada à complexidade das mesmas ricas em detalhes acaba sendo necessária mais de apenas uma audição para assimilar tudo que a banda apresenta em suas intrincadas músicas. Uma banda com personalidade que foge dos clichês e não tem medo de não ser previsível.

Facebook: http://pt-br.facebook.com/dynahead
Canal no youtube: http://www.youtube.com/user/DynaTV?feature=watch

Formação:
Caio Duarte - Voz
Pablo Vilela - Guitarra
Diogo Mafra - Guitarra
Diego Teixeira - Baixo
Rafael Dantas - Bateria (atualmente substituído por Deth Santos)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

SAKRAH - Collider

A banda paulistana Sakrah foi formada em 2009 e os caras fazem um heavy metal com influências do thrash e do death. Em maio de 2011 a banda lançou seu primeiro EP “Collider” e agora seguem dando sequência ao seu trabalho preparando o primeiro álbum de estúdio.

Capa do EP
Faixas:
1 – Collider
2 – Reflection
3 – When I Fall
4 – Fight Bar
5 – Whiskey Devil
Lançamento: 2011

O som dos caras é mais ou menos um thrash metal com influências do death e crossover. Se for para comparar, lembra bandas como Pantera e Down. Collider é a primeira faixa do EP com total destaque aos ótimos riffs de guitarra de Ale Arrais, além do belo timbre escolhido. Reflection é a seguinte com um inicio lento e melodioso que logo dá espaço para todo o peso que a banda traz. Ótimos e pesados arranjos na guitarra aliados a uma grande interpretação do vocalista Leandro Novo tornam esta uma ótima música.

When I Fall segue numa pegada cadenciada na bateria e com riffs simples, mas de extremo bom gosto que facilmente grudam na cabeça. Whiskey Devil é a mais curta do EP com pouco mais de 2 minutos, mas tem uma identidade única no trabalho devido ao tapping na guitarra e a riffs bastante agressivos. Para fechar o EP temos Fight Bar  que como nas anteriores, não faltam riffs de fácil assimilação que vão te fazer bangear e muito nos shows, além de ter um refrão grudento e um desempenho destruidor da cozinha da banda formada por Mauricio Cliff no baixo e Marcelo B.A na bateria.
OBS: As faixas não são numeradas no EP, as numerei na sequência em que estavam quando abri a pasta com as músicas.



A produção do EP é de ótima qualidade com uma ótima qualidade sonora que mostra o profissionalismo dos paulistanos. Um trabalho até que relativamente simples com faixas curtas e sem "firulas", mas de muita qualidade. Se ao ouvir “Reflection” e “Fight Bar” num show você não começar a bangear alucinadamente, caro amigo, você tem sérios problemas hehe.
A banda disponibilizou em sua página do facebook o download de todas as faixas do EP e também das letras.


Formação:
Leandro Novo - Voz
Ale Arrais - Guitarra
Maurício Cliff - Baixo
Marcelo B.A - Bateria

sábado, 28 de janeiro de 2012

SACRIFICED - The Path of Reflections

A banda mineira  Sacrificed foi formada em 2004 como uma banda cover do Metallica sob o nome Metalbreath. Com o passar dos anos e as trocas na formação e desenvolvimento dos músicos o grupo começou a trabalhar em composições próprias lançando em 2008 o EP “Streets of Fear”. No ano passado a banda lançou o seu primeiro álbum de estúdio “The Path of Reflections” considerado pelos usuários do site mineiro Mondo Metal como o melhor álbum lançado por uma banda mineira em 2011.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Winds of Liberty
2 – Soulitude
3 – Endless Sin
4 – Walking Through Flames
5 – Before a Dream
6 – Call of Insanity
7 – Red Garden
8 – Prision Mind
9 – Far Away To Feel
10 – The Truth Beneath The Laments
Lançamento: 2011
Gravadora: Shinigami Records

A Sacrificed apresenta um som que vai ser influenciado por várias vertentes do Heavy Metal como o thrash, prog e death, além do heavy tradicional. O grande peso do instrumental muitas vezes contrasta com os vocais limpos de Kell Hell.

A instrumental Winds of Liberty inicia o álbum com uma bela e agradável melodia. Soulitude logo nos apresenta em uma faixa pesada, regada a groove e cheia de distorções, os contrastes do pesado instrumental com o vocal limpo e também as linhas de teclado que dão um ar mais melódico. A faixa conta com um bom refrão também, uma das melhores do álbum. Endless Sin torna bastante notável as influências do progressivo com destaque para o trabalho na bateria. Walking Through Flames conta com as melhores linhas de teclado do álbum que preenchem muito bem a faixa que é um tanto menos pesada que a maioria do álbum. Before a Dream chega para mostrar o grande talento dos guitarristas com riffs certeiros em uma música com um refrão grudento, outro destaque do álbum.

Call of Insanity é outra cheia de riffs matadores e com um grande trabalho de bateria, além de mais um refrão pegajoso. Red Garden continua com a levada cheia de riffs destruidores mostrando que os grandes destaques do álbum são os guitarristas. Destaque também para o ótimo solo de guitarra. Na sequência temos Prision Mind sendo  a faixa que chama menos atenção no álbum, mas não é uma faixa ruim, faltou um refrão mais grudento. Em Far Away To Feel a vocalista dá um show de interpretação em uma faixa com ótimas linhas vocais. The Truth Beneath The Laments irá encerrar o álbum com uma das faixas mais pesadas com grande desempenho dos guitarristas e a cozinha quebrando tudo, além da participação especial de Lanio Araújo do Tormento.



A produção do álbum é de alta qualidade dando uma ótima qualidade de som que aliado a ótima escolha dos timbres de guitarra só acrescentam ainda mais a este bom álbum. Em termos vocais, em algumas faixas a vocalista deixa a desejar nas interpretações, mas nada que tire o mérito deste trabalho. Apesar de ser apenas o primeiro álbum dos mineiros, a banda mostra maturidade e muito profissionalismo e tem tudo para continuar crescendo. Dizer que foi o melhor álbum de uma banda mineira no ano acho que é um grande exagero, mas é um grande álbum.


Site da banda: http://www.sacrificed.com.br/
Myspace: http://www.myspace.com/sacrificedbrazil

Formação:
Kell Hell - Voz
Diego Oliveira - Guitarra
Vitor Almeida - Guitarra
Bruno ‘Jou’ Bavose - baixo
Thales Piassi - Bateria

sábado, 21 de janeiro de 2012

MYTHOLOGICAL COLD TOWERS - Immemorial

A banda Mythological Cold Towers foi formada na cidade de Osasco no estado de São Paulo em 1994 fazendo um Doom/Death Metal. De lá para cá a banda paulista lançou quatro álbuns, sendo o primeiro de 1996 “Sphere of Nebaddon (The Dawn of a Dying Tyffereth)”. Em 2000 foi lançado o álbum “Remoti Meridiani Hymni (Towards the Magnificent Realm of the Sun)” e em 2005 foi a vez de “The Vanished Pantheon”.

As letras das músicas da banda versam sobre as civilizações pré-colombianas, sobre suas glórias e decadência. Após 6 anos sem um novo álbum, finalmente no ano passado o quarto trabalho dos caras foi lançado sob o nome “Immemorial”, que não foi um lançamento qualquer, mas sim um puta de um álbum.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Lost Path to Ma Noa
2 – Akakor
3 – Enter The Halls of Petrous Power
4 – The Shrines of Ibez
5 – Like an Ode Forged in Immemorial Eras
6 – The Falen Race
7 – Immemorial
Lançamento: 2011
Gravadora: Cyclone Empire

O álbum não irá reiventar o Doom Metal, muito pelo contrário, se nota muita influência das bandas dos anos 90. Sem excessos e experimentalismos como no álbum anterior da banda, “Immemorial” soa bastante básico, mas sem cair na mesmice e ser clichê. A banda cria um ambiente melancólico, obscuro e épico com extrema qualidade. O álbum tem suas letras baseadas em um conceito, as lendas da suposta cidade perdida de Akakor que seria uma cidade de origem pré-colombiana localizada na Amazônia brasileira. Muitos pesquisadores e aventureiros que partiram em busca das ruínas se perderam em meio à floresta e acabaram morrendo.

A melodica Last Path to Ma Noa abre o álbum e já nos traz o ambiente de tristeza e melancolia mortal que impregna o álbum. As linhas de teclado muito bem postadas dão o toque mais melódico em meio ao pesado ambiente criado na música que possui uma ótima base na guitarra. Akakor segue numa linha próxima a faixa anterior com os teclados dando um ar mais melódico,  a faixa também ressalta o lado mais épico da banda pegando influências no Gothic Metal. Riffs bem bolados e um solo eficiente complementam a ótima faixa. Enter the Halls of Petrous Power nos traz um doom tradicional que consequentemente acabam se destacando as guitarras em um grandioso trabalho com riffs grudentos e solos eficientes.

The Shrines of Ibez é bastante homogênea sem alterações no andamento, com aquela pegada cadenciada de riff após riff trazendo a melancolia. A faixa lembra um pouco o Candlemass e destaco a interpretação vocal de Semaj. Like an Ode Forged in Immemorial Eras é mais uma com riffs pegajosos em um ótimo trabalho de guitarras. A longa The Falen Race tem uma boa levada com ótimos riffs e o melhor trabalho de bateria do álbum. A faixa título encerra o álbum de modo triste e sombrio no melhor estilo Doom Metal.






A produção do álbum é de ótima qualidade que ressalta ainda mais as guitarras que são o grande destaque do trabalho. Com este álbum a Mythological Cold Towers atingiu o seu ápice se firmando como um dos principais representantes do Doom Metal no Brasil.

Facebook: http://pt-br.facebook.com/officialmythologicalcoldtowers
Myspace: http://www.myspace.com/mythologicalcoldtowers

Formação:
Hamon - Drums
Shammash - Guitars
Nechron - Guitars
Samej - Vocals
Thormianak - Bass (live member)

sábado, 14 de janeiro de 2012

PROJECT46 - Doa a Quem Doer

A Project46 foi formada na cidade de São Paulo em 2008, inicialmente como um pequeno projeto sem muitas ambições, indo pouco tempo depois a se transformar em uma banda de fato.

Após fixar uma formação, a banda lançou um EP auto-intitulado em 2009 que continha 4 faixas e em 2011 lançaram o seu primeiro álbum de estúdio “Doa A Quem Doer”.

Capa do álbum
Faixas:
1 – 809072
2 – Atrás das Linhas Inimigas
3 – Impunidade
4 – Capa de Jornal
5 – Se Quiser
6 – Violência Gratuita
7 – Amanhã Negro
8 - #46
9 – Dor
10 – No Rastro do Medo
11 – Acorda Pra Vida
Lançamento: 2011
Gravadora – Independente

A banda apresenta como eu diria um “heavy metal moderno” mesclando thrash, hardcore e metalcore, regado a muito groove e com ótimos trabalhos nas guitarras. Para iniciar temos a vinheta 809072 (que diabos significam esses números?) com sons de armas de fogo e gritos de desespero criando um clima bastante tenso. A pesada Atrás das Linhas Inimigas é de fato a primeira faixa do disco que já começa com riffs grudentos e passagens de baixo muito bem encaixadas em uma música cheia de groove com ótimas linhas vocais próximo ao fim da faixa. Destaque para as guitarras e os “pig squeals”, ótima faixa. Impunidade também é cheia de groove e segue na linha da anterior, mostrando a banda ciente do que faz e para onde que ir, mas é bem mais fraca que sua antecessora. Destaque para a letra da música muito bem elaborada e agressiva. Capa de Jornal é a próxima com baixo sempre presente com linhas bem postadas, mas o destaque mesmo fica para a bateria que por volta do meio da faixa apresenta um trabalho incrível. Porém faltou um refrão mais pegajoso.  Se Quiser apresenta um bom trabalho de guitarras no melhor estilo metalcore e um refrão cativante, onde aparecem vocais limpos pela primeira vez. Ainda apresenta um bom solo de guitarra, a melhor faixa do álbum.

Violência Gratuita é das mais agressivas do álbum com bons riffs e o melhor solo de guitarra do trabalho. Amanhã Negro conta com a participação especial de Dijjy da banda Ponto Nulo No Céu em mais uma faixa com riffs certeiros e bom solo de guitarra, além de um ótimo trabalho na bateria, caracterizando uma das melhores faixas do álbum. #46 é uma pequena faixa instrumental com belos arranjos acústicos que tem muito a somar para o álbum e lhe trará uma sensação de paz em meio a porrada da banda, um belo trabalho. Dor tem como destaque as linhas de bateria e sua levada agressiva, culminando em um som bastante suave em seu final dando um grande contraste, porém uma faixa de pouco destaque no álbum. No Rastro do Medo apresenta riffs matadores que são de longe o destaque da faixa que também conta com um bom solo de guitarra, é explicito que as guitarras são também o destaque desse álbum todo. Acorda Pra Vida irá finalizar o álbum e de modo inusitado acrescentará perto de seu final acordes acústicos com uma veia latina, uma grata surpresa que poderia ter sido mais explorada no álbum.





Sempre dei grande atenção às letras, e aqui vai uma questão muito pessoal, já que as letras são sempre subjetivas e cada um interpreta a sua maneira. Com exceção de Impunidade que tem uma ótima letra, as outras não me agradaram muito, liricamente as músicas podem ser bem mais trabalhadas. O álbum acaba tendo algumas faixas inferiores em qualidade a outras, mas claramente a maior parte das músicas são muito boas como Se Quiser, Atrás das Linhas Inimigas, Acorda Pra Vida e Violência Gratuita que são grandes músicas. A qualidade do áudio é excelente  por parte do produtor Adair Daufembach. Sem dúvidas um álbum que você não vai se arrepender de ouvir,  fica claro que a banda tem muito potencial para futuramente fazer trabalhos ainda melhores.


Formação
Caio MacBeserra – Voz
Vinicius Castellari – Guitarra
Jean Patton – Guitarra
Rafael Yamada – Baixo e voz
Guilherme Figueiredo – Bateria

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PSYCHOTIC EYES - I Only Smile Behind The Mask

A banda Psychotic Eyes foi formada em 1999 e tem base nas cidades de São Paulo e Guarulhos e vem se tornando mais uma das grandes representantes do Death Metal nacional. Os paulistas lançaram uma demo em 2000 e outra em 2002, quando também participaram do Split CD “Psychotic Eyes/Ancestor”.

Em 2007 a banda lançou seu primeiro álbum auto-intitulado  e só agora em 2011 os caras lançaram seu segundo álbum sob o nome “I Only Smile Behind The Mask”.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Throwing into Chaos
2 – Welcome Fatality
3 – Dying Grief
4 – Life
5 – I Only Smile Behind the Mask
6 – The Humachine
7 – The Girl
Lançamento: 2011
Gravadora: Independente

O termo que melhor se encaixaria na definição do som do Psychotic Eyes é o chamado Melodic Death Metal, porém, além das claras influências da cena de Gotemburgo, os paulistas também flertam com o thrash metal e até mesmo com o progressivo.

Throwing into Chaos abre o álbum e a escolha para isso não poderia ter sido melhor. A música apresenta um grande trabalho na bateria com uma pegada técnica e varias mudanças no andamento, e as linhas de baixo são muito eficientes. Mas o destaque fica mesmo para os majestosos riffs de guitarra que do começo ao fim da faixa ficam grudados na cabeça, além do belo timbre e os solos muito bem elaborados. Vale mencionar que a letra da música, que realmente transmite ao ouvinte o caos presente em seu nome, é de composição do poeta Adriano Villa que foi responsável pelas letras da metal opera “Hamlet”. Welcome Fatality começa com uma levada bem thrash e depois vai trilhando pelos caminhos do death melódico. As passagens de guitarra como na anterior são magníficas com riffs certeiros e solos inventivos e não apenas com aquele virtuosismo jogando a velocidade lá em cima. O que quebra tudo mesmo na faixa é a cozinha da banda que simplesmente mostra não estar para brincadeiras em mais um grande, técnico e progressivo trabalho na bateria de Alexandre Tamarossi, além do baixo fulminante que no álbum foi gravado por Rodrigo Nunes. Deve se destacar também a interpretação de Dimitri nos vocais, esse cara canta pra caralho, seja em inglês ou em português nos versos finais, aliás,  a letra da música é excepcional e foi uma letra com a qual me identifiquei muito.
Dying Grief chega com um andamento bem mais cadenciado que suas anteriores e também com a maioria dos riffs indo mais para o lado melódico, lembrando bastante as bandas Suecas em certos momentos. Em flerte constante com o thrash, aliado aos vocais sufocantes e infernais de Dimitri esta se mostra mais uma grande composição com destaque para as linhas de guitarra.

Life é uma faixa difícil de definir. Esta é a faixa mais suave do álbum e diga se de passagem algo bastante inusitado em um álbum de death metal. Chamar de balada não estaria totalmente correto, mas se assim são chamadas as faixas mais suaves em outros lados do metal, também não estaria de pleno equivoco. Lembrou-me vagamente o Dark Tranquility. A faixa apresenta alguns momentos bastantes “calmos” (existe algo assim no death metal? hehe) e alguns mais agressivos, combinando melodia e porrada de um modo como poucas vezes escutei. Destaque ao solo de guitarra e interpretação de Dimitri e também a letra por ter um ar mais romântico, algo também deveras raro no death metal. Em seguida temos a faixa título I Only Smile Behind the Mask que é pesada desde seu inicio. A faixa é um pouco cadenciada, não tanto quanto Life, mas mais cadenciada que a maioria das faixas do álbum. É praticamente impossível escolher um destaque aqui.
The Humachine começa de maneira excêntrica em um diálogo entre homem e máquina e prossegue em uma faixa de extrema técnica e muito bom gosto nas linhas de bateria, continuando em seu desenvolvimento repleta de diálogos entre a máquina e o homem. De todas as faixas do álbum foi a que menos chamou minha atenção musicalmente, porém a letra da música aqui é o grande destaque. Letra que foi baseada no livro de David Gerrold “O diabólico cérebro eletrônico”, título da obra em sua versão traduzida para o português do original “When Harlie Was One”.  E para finalizar o álbum temos The Girl que começa de forma bastante suave, uma faixa bem cadenciada que vai mesclando o death com o thrash e até pitadas de hard rock por parte da guitarra que conta com um bom solo também. A faixa é baseada na música "Geni e o Zepelim" de Chico Buarque.







O álbum conta com uma produção de primeira qualidade pelo produtor e guitarrista do Kataklysm Jean François Dagenais que mostra ainda mais o profissionalismo da Psychotic Eyes. Um álbum cheio de riffs extremamente bem elaborados e grudentos, um monstruoso e técnico trabalho de bateria, linhas de baixo vigorosas e eficientes e letras muito boas, algo muito acima da média. Sem mais, grandes músicas com uma ótima produção neste que é sem dúvidas um dos melhores álbuns lançados em 2011. Recomendado a qualquer um que aprecie metal extremo e boa música. 
O que o álbum tem de pior é que são “apenas” 7 faixas e quando chega ao fim fica a sensação de quero mais hehe. Uma pena também o álbum ser lançado apenas de modo virtual e não ter lançamento físico, para um colecionador como eu é muito frustrante, mais frustrante ainda por ver que o perverso mercado musical atual não permita que bandas do nível da Psychotic Eyes de prensarem seus álbuns para lançamentos físicos. O álbum está disponível para download no site da banda.


Formação:
Dimitri Brandi – Vocal e Guitarra
Alexandre Tamarossi – Bateria
Douglas Gatuso – Baixo


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

SODAMNED - The Loneliest Loneliness

A banda Sodamned foi formada em 1999 em Santa Catarina por Gilson, Juliano e Gerson com a proposta de fazer um death metal de qualidade. Desde então o grupo lançou uma demo chamada “On The Gallows” em 2003 e o CD-Split “The Damned Celebration” em conjunto com a banda gaúcha Dark Celebration.

Com muita calma e prizando pela qualidade, agora em 2011 após 10 de anos de história a banda finalmente lançou o seu debut intitulado “The Loneliest Loneliness” que está sendo bem recebido pela crítica especializada, e que rendeu para a banda uma turnê com cerca e 16 shows na Europa.


Capa do álbum
Faixas:
1 – Fear
2 – Graveyard of Secrets
3 – Tortures and Nightmares
4 – Sky and Earth
5 – Hope
6 – Um Enigma Envolto em Mistério
7 – The Mountain
8 – Painted in Blue
9 – Hanged
10 – Ewige Wiederkunft
Lançamento: 2011
Gravadora: Face The Abyss Records

O álbum começa com Fear que sem tempo a perder já começa agressiva e veloz. Bateria quebrando tudo e baixo alucinado, com o gutural de Juliano que contrasta muito bem com os berros de Felipe Gonçalves, ótima escolha para iniciar o álbum. Seguindo o play temos Graveyards of Secrets que nos faz sair batendo cabeça no quarto mesmo. Magnífico trabalho de guitarras com riffs grudentos e destruidores e destaque aos berros de Felipe Gonçalves, uma das melhores do álbum. Tortures and Nightmares é a faixa seguinte e vai fuzilando riffs em nossos pobres tímpanos. O grande destaque da faixa é o guitarrista Edilson com riffs vorazes e solos mais limpos e eficientes, além claro de merecer destaque o gutural infernal de Juliano. Sky and Earth que segue com Gilson massacrando sua bateria e Juliano e Edilson em grandes interpretações  que passam uma infernal sensação de desespero em meio a seus urros e berros e também vale ressaltar as linhas de baixo. É uma das faixas em que fica bastante evidente as influências mais melódicas da banda.  Hope é uma faixa curta de pouco mais de 2 minutos que não chama muita atenção dentro do álbum, acaba ficando meio apagada em meio a tantas grandes composições.

Um enigma envolto em mistério além de ser diferente pelo título em português, também é uma música apenas instrumental regada a muita técnica e velocidade e que me lembrou muito o heavy oitentista. Ótimo seria se sempre que uma banda resolver colocar uma faixa instrumental fosse uma faixa grandiosa como essa e não somente para preencher o álbum. The Mountain é outra que em muitos momentos remete ao som das bandas oitentistas, como se estas agora fundissem seu som ao metal extremo. Somente uma palavra para descrever: Destruidor! Na sequência Painted in Blue inusitadamente tem uma parte versada em português, mas sem soar estranho. O baixo de Felipe Gonçalves tem grande destaque na faixa com linhas eficientes, mas no geral a banda toda se mostra entrosada e dominando perfeitamente seus instrumentos. Hanged já nos traz o lado mais agressivo e pesado da banda logo de inicio para o ouvinte se já não estiver com um baita torcicolo continuar no headbanging hehe. Ewige Wiederkunft (um conhecido conceito filosófico de Friedrich Nietzsche sobre o “eterno retorno”) vai finalizar o álbum, mas o fará de forma magistral. A faixa simplesmente apresenta os riffs mais grudentos do álbum em mais uma esplendida fusão do death metal com o heavy tradicional.






Um trabalho que exala profissionalismo, qualidade e bom gosto. A produção do álbum é de ótima qualidade tornando todos os instrumentos perfeitamente audíveis, a arte da capa por parte de Gustavo Sazes é perfeita, e o mais importante, a Sodamned faz um som infernal (no bom sentido é claro). Se tu és um dos amantes do metal extremo certamente não se arrependerá de pegar um tempo para ouvir esta banda de Santa Catarina.
Nos últimos dias estava trabalhando em uma postagem sobre os melhores lançamentos nacionais em 2011 para postar no blog em breve, e certamente terei de modificar e colocar este The Loneliest Loneliness, pois é sem dúvidas um dos melhores lançamentos do ano passado destas terras tupiniquins. O álbum está disponível na íntegra no myspace da banda.


Formação:
Edilson Lúcio - Guitarra
Felipe Gonçalves - Baixo e Vocais gritados
Gilson Lange - Bateria
Juliano Regis da Silva - Guitarra e Vocal gutural

sábado, 24 de dezembro de 2011

CANGAÇO - Positivo

A banda Cangaço começou suas atividades no final de 2009 na cidade de Recife em Pernambuco. A proposta da banda é mesclar o Death Metal com elementos musicais regionais com grande influência de ritmos nordestinos de nomes como Fred Andrade, Sivuca e Luciano Magno.

Já em 2010 a banda se apresentou em vários festivais locais e sagrou se a vencedora da Wacken Metal Battle Brasil 2010, assim indo representar o Brasil no festival Wacken Open Air na Alemanha, considerado o maior festival europeu de Heavy Metal.  A banda já lançou duas demos, “Cangaço” e “Parabelo” e agora em 2011 lançou seu primeiro EP chamado “Positivo’’. Alguns meses atrás trouxe a resenha da demo “Parabelo” e tinha ficado de trazer logo a do EP “Positivo”, demorou, mas antes tarde do que nunca.

Capa
Faixas:
1 – Positivo
2 – The Second Hour
3 – Sete Orelhas
4 – Al Rasif
5 – Deserto do Real
Lançamento: 2011
Gravadora: Independente

Logo de cara a surpresa que temos é que quatro das cinco faixas do EP são cantadas em português, uma surpresa se formos considerar que nas demos anteriores as músicas eram em inglês. Falando do som do Cangaço, tente imaginar uma mistura de Morbid Angel com Sivuca e Zé Ramalho... Minha imaginação pouco fértil não seria capaz disso, mas é mais ou menos isso que faz o Cangaço. Para os que dizem que muitas bandas se tornam cópias de outras, está aí uma de som diferenciado com a fusão da música regional nordestina e o death metal.

Positivo é a primeira faixa, com várias mudanças de andamento e uma pegada agressiva e técnica que já é característica da banda. Todas as suas mudanças soam de forma natural e os riffs com influências regionais também não são forçados e se encaixam perfeitamente na música, grande trabalho de Rafael Cadena na guitarra. A faixa também apresenta o refrão mais grudento do EP. The Second Hour é a única cantada em inglês e segue uma veia mais tradicional até cerca de sua metade. Nota se nas partes iniciais, no fim da introdução o violão junto da guitarra distorcida que dá uma sensação única. A música prossegue com a cozinha mostrando que não está para brincadeira e vocais eficientes. Chegando a metade da faixa há a parte acústica com o violão carregado de regionalismos. Nesta faixa também fica evidente o grande trabalho de Rafael Cadena.

Sete Orelhas é a faixa seguinte e agora o baterista André Lira também traz uma pegada mais regional, em alguns momentos bem percussivas. O baixo de Magno Lima consegue se destacar mais que nas faixas anteriores com linhas muito bem colocadas e não ficando somente no básico, vale ressaltar também a letra da faixa bastante regional (já apartir do nome) e muito bem bolada. Al Rasif é a mais complexa instrumentalmente falando flertando com o progressivo. Outra letra ácida e mais um belo desempenho de André Lira na bateria. Deserto do Real fecha o EP em grande estilo. A faixa apresenta as melhores linhas vocais do trabalho, tanto as simples por Magno Lima, como as em dueto por Magno e Rafael. Uma letra mais “cabeça” e com ares filosóficos sem deixar de ser regionalista também engrandece a música.






Nota se a evolução do Cangaço em relação a seus trabalhos anteriores tanto musicalmente como na produção do EP que não é tão “seca” como nas demos. Uma banda que busca criar uma identidade única, altamente técnica e talentosa que tem tudo para se tornar uma das principais bandas do estilo no país nos próximos anos. Se tivesse de apostar em um nome que futuramente será grande, apostaria no Cangaço.

Formação:
Magno Lima (baixo e vocal)
Rafael Cadena (guitarra e vocal)
André Lira (bateria)


sábado, 17 de dezembro de 2011

BROTHERHOOD - Where the Gods Collide

A banda Brotherhood foi formada no final de 2010, na cidade de Franca/SP, por membros oriundos da dissolução da banda Savior. O som da banda se define em um Power Metal com influências de Savatage, Metallica, e principalmente Blind Guardian. Este ano a Brotherhood lançou o seu primeiro álbum “Where the Gods Collide” que foi bem recebido por público e critica, levando inclusive a banda abrir o show do Blind Guardian no Via Funchal este ano. Bom, vamos conhecer um pouco mais do álbum...

Capa do álbum
Faixas:
1 – Son of Pain
2 – Blind Faith
3 – Sorrows
4 – My Final Stand
5 – Nevermore
6 – Requiem for my Dreams
7 – Into the Night
8 – Dreamland
9 – Dark Age
10 – Death Note
Lançamento: 2011
Gravadora: Independente

O álbum começa com Son of Pain e um riff denso e vigoroso. A música prossegue com riffs ora bastantes melodiosos e ora mais heavy tradicional, boa pegada na bateria e muitas partes cantadas em coro. O solo de guitarra é ótimo e é impressionante como a voz do vocalista se parece com a de Hansi Kursch do Blind Guardian, em alguns momentos até parece Kursch cantando, uma das melhores faixas do álbum. A faixa seguinte é Blind Faith,com destaque para os vocais. Nota se que a produção do álbum em certos momentos deixa a bateria bem “seca”, o que para o estilo da banda não é muito bacana, mas no geral a produção do álbum é boa, alguns probleminhas, mas nada que vá tirar o brilho do som dos paulistas. Seguindo o play temos Sorrows que destaco o desempenho do baterista em um ótimo trabalho. Faltou um refrão mais pegajoso para tornar a música ainda melhor. My Final vem em seguida com uma boa levada dos guitarristas, mas o que mais se destaca na faixa é o vocal e os backing vocals que se encaixam perfeitamente não desequilibrando a música. Nevermore, assim como a primeira faixa, é uma das melhores do álbum. Guitarras fuzilando riffs certeiros, cozinha da banda se mostrando entrosada e ciente do que faz, com ótimo desempenho vocal e corais bem postados, além do refrão mais grudento de todo o play. Ainda vale ressaltar os solos de guitarra bem elaborados e a parte acústica no meio da música.

A próxima faixa é Requiem for my Dreams que tem como destaque os riffs e solos de guitarra bem sacados e as linhas vocais muito bem colocadas. Into the Night vem na sequência e logo nos faz lembrar-se das baladas com ar medieval do Blind Guardian que levou os alemães a serem chamados de bardo. Uma bonita balada para acalmar os ânimos, onde mais uma vez o trabalho de vocal  e backing vocals se completam de maneira perfeita. Dreamland começa como uma balada também, mas depois ganha em peso e agressividade. A faixa segue na linha de outras do álbum e é impossível não ressaltar a grande interpretação do vocalista. Dark Age começa de forma acústica, mas não demora a voltar ao modo elétrico. A música não tem muito a acrescentar ao álbum e acaba sendo uma música que fica apagada entre as outras. Para finalizar o álbum temos Death Note que irá finalizar um bom álbum e maneira esplêndida.


Não tenho o hábito de colocar vídeos de apresentações ao vivo, mas não encontrei a versão de estúdio para postagem.





Pelo fato de este ainda ser o primeiro lançamento da banda é impressionante a maturidade e qualidade do som. A banda ainda tem muito a que melhorar, pois o potencial dos caras é enorme e com certeza se seguirem nessa perspectiva irão conseguir se consolidar no underground. A banda precise talvez buscar elementos que tragam mais uma identidade própria, não que a banda não tenha, mas em alguns momentos a impressão é a de estar ouvindo o Blind Guardian. O grupo está preparando um single para ser lançado nos primeiros meses de 2012 e também está preparando vídeo clipes, com certeza os bardos brasileiros podem e devem seguir em frente buscando melhorar cada vez mais o seu som, quem agradece é o público.

Site onde todas as faixas estão disponíveis para audição: http://www.brotherhoodmetal.com.br/

Formação atual:
William Pardo – Vocal
Eduardo Ribeiro – Guitarra
Otavio Silveira – Guitarra
Evandro Ribeiro – Baixo
Paulo Guilherme – Bateria



domingo, 11 de dezembro de 2011

DARK AVENGER - Tales of Avalon: The Terror

A  banda Dark Avenger foi formada na cidade de Brasília em 1993 e o som dos caras podia ser definido tendo principais influências nas bandas Iron Maiden, Savatage e Helloween. No ano seguinte a sua formação, a Dark Avenger lançou uma demo intitulada “Choose Your Side... Heaven or Hell...” que obteve boa repercussão na época. Já em 1995 a banda estaria lançando o seu primeiro álbum auto-intitulado e que atraiu muita atenção para os brasilienses que excursionaram pelo país durante cerca de 2 anos.

O álbum seguinte só viria a sair seis anos depois, em 2001 foi lançado “Tales of Avalon – The Terror” que seria o primeiro de dois álbuns que teriam como base o mesmo tema, os contos dos reinos de Avalon (local místico presente nas histórias do Rei Arthur). A obra seria dividida em “Tales of Avalon – The Terror” e “Tales of Avalon – The Lament”, porém, após o grande sucesso do primeiro dos álbuns que é considerado um clássico do Heavy Metal nacional, a banda passou por inúmeros problemas e culminou em seu fim em 2005. Em 2009 houve uma reunião e a banda chegou a se apresentar, mas não foi para frente. Agora em 2011 finalmente a banda está de volta com uma formação finalmente estabilizada e após 10 anos o segundo álbum que fecha o conceito montado pela banda será lançado. Enquanto aguardamos o álbum que deve sair até o fim do ano, fica aqui uma resenha do “Tales of Avalon – The Terror”.

Capa do álbum
Faixas:
1 – The Terror
2 – Tales of Avalon
3 – Golden Eagles
4 – Heroes of Kells
5 – Crown of Thorns
6 – Wicked Choices Part I
7 – Glass Myrddin
8 – As the Rain
9 – De Profundis
10 – Caladwch
11 – The White of Your Skin
12 – Crownless Queen
13 – Morgana
14 – The Lament Part I
Lançamento: 2001
Gravadora: Megahard

Quando recebi a notícia que a Dark Avenger estava voltando à ativa, fiquei muito feliz com esta que foi umas das melhores noticias que tive nos últimos meses. São vários os autores que já abordaram os contos do Rei Arthur, alguns abordando mais a visão masculina, outros a visão feminina, outros focaram em apenas um personagem. E o Dark Avenger segundo o vocalista e idealizador deste conceito, Mário Linhares, acabou juntando quase tudo. Com as palavras do próprio Mário Linhares, “pegamos personagens que existem em todos os livros e outros que só existem em um ou outro livro e fizemos um grande caldeirão de sentimentos, pois é disso que o Tales Of Avalon é feito: SENTIMENTOS.”

Mário Linhares ainda complementa: “Nenhuma história é contada nos nossos discos uma vez que já foram tão bem narradas por esses excelentes autores. Ao invés, nós juntamos todos esses personagens e resolvemos cantar em nossas músicas os sentimentos envolvidos naquele determinado momento, determinada cena. O ouvinte vai poder sentir todo o ódio de Morgana ao ser rejeitada pelo irmão que a engravidou, vai poder vivenciar todo o amor de Arthur por Gwenwifar quando esta o faz jurar amor eterno, vai visualizar a dor dos Pequenos (Little como os Celtas eram chamados) ao serem conquistados pelos romanos, e vibrar com a alegria de Arthur ao conquistar Caladvwch (Excalibur) pela primeira vez.” No blog da Dark Avenger você pode ler por completo os textos de Mário Linhares explicando isso: http://darkavengerofficial.blogspot.com/

The Terror abre o disco, uma pequena faixa instrumental que irá te ambientar com o álbum. Tales of Avalon começa o disco de vez, esta eu considero a faixa mais fraca do álbum, uma escolha ruim já que se trata da primeira música. Não que seja ruim, muito pelo contrário, mas em comparação as outras faixas, é a mais fraca. Golden Eagles é a mais longa do CD e nos mostra a que veio a banda. Riffs eficientes, um ótimo solo de guitarra, cozinha baixo/bateria segura e entrosada, bom refrão e Mário Linhares mandando ver nos vocais. Heroes of Kells começa de forma suave, mas logo ganha em peso. Segue na mesma linha da anterior, mas o refrão aqui não é tão pegajoso. Crown of Thorns inicia com um riff que fica na cabeça logo de cara. A faixa segue com um bom trabalho dos guitarristas Leonel Valdez e Júlio Cesar com bons riffs e solos e linhas de teclado que se encaixam bem, além de Mário Linhares muito bem como sempre. The Wicked Choices Part I é somente instrumental com uma bela melodia. Glass Myrdin é a faixa seguinte e não deixa a peteca cair. Destaque para o ótimo trabalho do baterista Kayo John.

A próxima música é As the Rain com um inicio orquestrado, seguido de um trecho acústico suave e cadenciado. Com a entrada das guitarras a faixa segue cadenciada quando por volta da metade vai ganhar em velocidade e Mário Linhares volta com seus super agudos. De Profundis é uma faixa só com teclado e um vocal feminino que soa distante. Caladwch é outra que começa de maneira suave e que depois ganham pouco em peso, mas segue como uma das mais leves do álbum. The White of Your Skin também é uma faixa bastante leve se compara as outras e cadenciada, é a faixa onde também menos se nota os “excessos” de Mário Linhares, excessos no bom sentido me referindo aos tons extremamente agudos. Crownless Queen tem um inicio cheio de efeitos nos teclados e traz de volta o peso da banda. Se na faixa anterior Mário Linhares “economiza” nos agudos, aqui ele distribui super agudos por toda a música, o que para alguns pode ser insuportável hehe, mas particularmente admiro estes excessos de virtuosismo. As guitarras como de costume contam com bons riffs e a cozinha se mantém segura nesta que é uma das melhores faixas. Morgana também começa com os teclados de Rafael Galvão dando um ar soturno e logo entram as guitarras mandando riffs certeiros. Esta é outra das melhores faixas do álbum com as guitarras com uma boa levada, linhas de teclado muito bem colocadas e também um bom solo de teclado, baixo pulsante, além da ótima interpretação de Mário Linhares. The Lament Part I encerra o álbum de uma forma um tanto melancólica e a continuação nós teremos no próximo álbum da banda que deve sair ainda este ano.




Um álbum clássico, onde o Dark Avenger mostrou um trabalho impecável e essencial a qualquer um que curta um bom power metal tradicional.


Formação atual:
Mário Linhares – Vocal
Leonel Valdez – Guitarra
Ian Bemolator – Guitarra
Tito Falaschi – Baixo
Kayo John – Bateria

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SHADOWSIDE - Inner Monster Out

A banda Shadowside foi formada na cidade de Santos em 2001. No mesmo ano a banda lançou um EP que foi muito elogiado pela critica especializada e com um ano de carreira já estavam abrindo shows para bandas como Nightwish, Shaman e Primal Fear. Em 2005 veio o primeiro álbum sob o nome “Theatre of Shadows” que também foi bem recebido por fãs e critica e foi considerada por muitos como umas das melhores bandas do ano e resultou em uma turnê. Mas foi em 2007 que a banda explodiu no mundo sendo a vencedora do “AirPlay Direct All Things Digital Hard Rock / Heavy Metal Contest”, deixando para trás mais de 1000 bandas de todo o mundo. Com a exposição ganha com a vitória na competição assinaram com a gravadora norte americana Chavis Records para o relançamento do álbum no mundo todo.

A banda também foi destaque da “Indianapolis Metal Fest” em 2007 e assim fecharam uma turnê com vários shows pelos Estados Unidos e participações em vários festivais norte americanos como o Rocklahoma que é um dos maiores eventos do estilo no mundo onde tocaram para um público de 60.000 pessoas. A banda lançou o seu segundo álbum “Dare to Dream” em 2009, mais uma vez muito bem recebido pela critica que tornou o Shadowside a banda brasileira de maior expressão nos Estados Unidos depois do Sepultura. Em 2011 a banda lançou o seu terceiro álbum intitulado “Inner Monster Out”, sobre o qual comentarei agora.

Capa do álbum
Faixas:
1 – Gag Order
2 – Angel With Horns
3 – Habitchual
4 – In The Name of Love
5 – Inner Monster Out
6 – I’m Your Mind
7 – My Disrupted Reality
8 – A Smile Upon Death
9 – Whatever Our Future
10 – A.D.D
11 – Waste of Life
12 – Inútil (Ultraje a Rigo cover – Bonus Track)
Lançamento: 2011
Gravadora: Voice Music


A Shadowside já vinha colhendo os frutos de seu trabalho nos álbuns anteriores e agora com este “Inner Monster Out” notamos claramente que a banda continua evoluindo. A banda não soa mais Power Metal, as músicas estão mais pesadas e agressivas com influências do Thrash Metal e do New Metal, especialmente por parte do guitarrista Raphael Mattos. Dani Nolden também apresenta em alguns momentos vocais mais agressivos do que nos trabalhos anteriores e continua mostrando que nem só de vocais líricos sobrevivem as vocalistas de heavy metal. A produção do álbum é perfeita com um som cristalino, méritos do sueco Fredrik Nordstrom que produziu o álbum, considerado um dos maiores produtores de heavy metal na atualidade. Por coincidência ou não, nota se que a banda neste trabalho apresenta influências bem claras das principais bandas da cena de Gotemburgo no que se refere as timbragens de guitarra.

Gag Order é a primeira faixa que começa com uns efeitos que entram na cabeça e ficam grudados. A faixa segue com boa levada na guitarra e a cozinha mostrando segurança. Angel With Horns segue numa pegada vigorosa e cativante com refrão grudento e ótima interpretação de Dani Nolden, uma das melhores faixas do disco. Destaque para o timbre da guitarra, fenomenal. Habitchual é a seguinte trazendo muito peso na guitarra de Raphael Mattos (não canso de ouvir os riffs desse álbum, que timbre lindo) e Dani arrebentando nos vocais. Em In The Name of Love é de se destacar o trabalho da cozinha formada por Fabio Buitvidas na bateria e Ricardo Piccoli no baixo, os dois se mostram entrosados e segurando a quebradeira, com destaque para o baterista. Inner Monster Out conta com as participações especiais de Björn "Speed" Strid (Soilwork), Mikael Stanne (Dark Tranquillity) e Niklas Isfeldt (Dream Evil) nos vocais junto a Dani Nolden. Uma pesadíssima música para ficar na história onde ainda se destacam os riffs de Raphael Mattos.

I’m Your Mind vem na sequência, mais uma com efeitos que dão um toque especial na faixa e com riffs certeiros. Somente o refrão é que não me agradou muito. My Disrupted Reality vem com uma pegada vigorosa, cheia de efeitos no solo de guitarra e um ótimo trabalho de bateria. A Smile Upon Death segue numa levada parecida com as anteriores e com Dani com vocais ora mais agressivos e ora mais limpos, mas é uma faixa com pouco destaque dentro do álbum. Whatever Our Future tem um refrão pegajoso e uma levada na guitarra muito empolgante, além de riffs bem bolados. A.D.D e Waste of Life são as músicas finais com destaque para a última com Dani Nolden com vocais bem agressivos e uma interpretação matadora.






Um ótimo álbum, o melhor da Shadowside e que sem dúvidas só irá elevar ainda mais o reconhecimento da banda pelo mundo.


Formação:
Dani Nolden – Vocal
Raphael Mattos – Guitarra
Ricardo Piccoli – Baixo
Fabio Buitvidas – Bateria